terça-feira, 4 de março de 2008

Sua Heroína.

Filha do ópio, neta da doce Papoula, vinda de regiões remotas - branca como a neve.
Eu sou aquela que te causa euforia. Sou a dama dos teus sonhos mais profundos - vingativa como uma bruxa má.
Estou te esperando para mais uma vez me provar - a minha ausência lhe inflige dor?
Uma vez que te embalei em meus braços, de mim você não escapa.
Sou tua dominatriz - insaciável como sanguessuga.

Suas pupilas estão loucas para sair fora das órbitas, derretidas. Seus braços notáveis ostentam marcas inglórias, ferimentos e edemas.
Está doendo muito? O que me diz de seus delitos, sempre mais ousados?
Que me diz de sua mãe, que junta-se à multidão que lamenta e chora pela ingratidão?
Sou a gota da discórdia que rompe a harmonia da tua família - onde agora apenas resta dissonância.
Você me diz que sou insensível. Na verdade, eu é que te deixo insensível.

Agora mesmo meu séquito de leprosos se contorce, fedendo e gemendo sobre detritos, balbuciando palavras de contrição:
"estamos perdidos, meu amigo".
"não há escapatória."



Meu nome é heroína.

Decida se serei sua heroína.




Ouvindo: The Mars Volta - Agadez

2 comentários:

Pedro Zambarda disse...

Uma senhora com nome sugestivo e sintomas doentios.

ítalo puccini disse...

muito bem apresentada esta senhora.

gostei muito da construção do escrito aqui.

abraços,
Í.ta**